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Mulheres mandonas

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Sabe aquele ditado “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”? É mais ou menos isso que alguns homens passam em suas vidas de “pau mandado”. Mulher mandona não é lenda não, muito pelo contrário, elas existem, e de monte! Um belo exemplo é a estudante de Pedagogia e assessora de imprensa, Michela Yaeko Brandt Yosimura, que está com Marcel há nove anos, sendo três e meio de casados.

Pense numa pessoa controladora, é ela, e não tem receio em admitir: “Eu sou muito perfeccionista e quero que tudo seja feito com extrema exatidão. Não admito que o trabalho ou qualquer coisa que eu faça e entregue tenha qualquer falha. Aí acabo distribuindo ordens, para que as pessoas façam tudo no padrão que eu quero. Mais do que mandona, sou extremamente controladora! Quero saber tudo o tempo todo e o mais rápido possível! Quero morrer quando não controlo a situação”.

E a moçoila é assim em todos os aspectos de sua vida, inclusive no casamento: “A Mi é extremamente controladora, metódica e perfeccionista, logo ela fala o que quer, como quer e você tem apenas duas opções: ou faz do jeito dela ou sai da frente e deixa ela fazer”, conta o indefeso Marcel.

De acordo com o psicólogo Marcelo Toniette, os fatores que levam um homem a ceder às ordens da mulher dentro de um relacionamento são vários: “Um homem que cresceu com uma mãe mandona e autoritária tem a tendência de levar esse modelo para os seus relacionamentos afetivos. Outro fator é a insegurança, ou mesmo o comodismo por parte dele em ceder à parceira as responsabilidades que não deseja assumir. Desse modo, a mulher tende a assumir esse espaço”.

Para termos uma noção básica do que o Marcel tem que aguentar, a futura professora conta pra gente: “Eu gosto de saber o tempo todo o ‘status’ dele. Gosto muito das coisas feitas no meu tempo, do meu jeito, então preciso saber se ele vai sair no horário certo do trabalho, se ele vai a algum lugar antes (como na banca de revistas, por exemplo) ou se ele vai passar na padaria antes de me encontrar. Acho que nisso eu sou simplesmente insuportável. Tenho os números de telefone do celular dele, do trabalho e do colega que senta ao lado. Se eu não consigo falar com ele e não consigo saber onde ele está, com quem está, o que está fazendo, se vai conseguir cumprir horários ... eu fico muito irritada!”

É marcação cerrada! Marcel acrescenta: “Já foi muito pior. No começo do relacionamento ela era do tipo ‘Ou fulana ou eu!’. Acho que o tempo diminuiu um pouco do ciúme, então ficou mais fácil de lidar, fomos entendendo os limites um do outro. Mas as principais situações de controle ainda são os programas que vamos fazer, as pessoas com quem quero ter ou tenho contato e meu modo de lidar com as pessoas. E ela ainda cria várias situações embaraçosas com amigos, amigas e parentes”.

Apesar de as amigas da vítima dizerem que ele foi “adestrado”, Marcel diz que procurava por isso: “Eu sempre soube que a Mi tinha uma personalidade forte e tendo namorado outras meninas mais ‘pinks e fofinhas’ eu realmente queria uma pessoa mais segura de si e que soubesse realmente o que queria e como queria. Logo eu sabia onde estava me metendo”.Michela já tentou ser diferente, menos controladora e mandona, mas quando fez isso, teve a impressão de que implodia diariamente: “Isso começou a me fazer mal, eu estava indo contra a minha própria natureza. Percebi que não preciso ser diferente do que sou, e sim que preciso ter mais serenidade para ver as situações ‘de fora’.

No fim das contas, após nove anos, Marcel aprendeu como domar a fera: “Uma das coisas que eu entendi do relacionamento com a minha esposa é que ela está sempre certa, mesmo quando está errada. Logo, se ela estiver no auge do controle e falar que vamos fazer algo do jeito ‘x’ eu aceito, acato e não discuto. Depois que der errado ou quando ela estiver mais calma eu procuro conversar, achando um meio termo. Isso para evitar comprar uma briga que sei que não vou conseguir ganhar”.

De qualquer forma, é como o psicólogo afirmou: “Se a mulher percebe o homem como submisso, e o homem percebe a mulher como mandona, e esse modelo não gera sofrimento ou conflito, o relacionamento segue como qualquer outro. É o casal, a partir da sua singularidade, que vai moldando a forma de vivência daquela relação”.

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