mulher

Eu quero sexo!

2002 08 2018
Pacha Urbano

Imagine a cena: você sentada na cama, ele roncando e a TV ligada. Quando ela não está descrevendo um quadro de insônia, deve estar refletindo o que tira qualquer mulher do sério: você cheia de amor para dar e ele não muito – ou nada – disposto a receber. O que fazer ao descobrir que, para você, fazer sexo é uma coisa básica  e, para ele, talvez seja apenas mais um detalhe da relação? Primeiramente você se descabela. Subir pelas paredes faz parte do segundo ato e, algumas tentativas depois, buscar ajuda de recursos mecânicos, quem sabe, funcione. Mas esta solução é paliativa e não muda a essência do fato: amor é para ser a dois.

Quando uma mulher descobre que é mais empolgada do que o cara logo no princípio, a coisa fica mais fácil de resolver. Basta partir para outro – que dê conta do recado –, ou tentar adestrar o moço, mostrando a ele que sexo faz parte da sua dieta. Mas se, depois desses esforços, ele não corresponder às expectativas, o jeito é jogar a tolha e demitir o cidadão do posto, sem dó, nem piedade. Pelo menos é o que pensa a vendedora Andréa Lima, que resolveu o seu caso com um cartão vermelho."O cara tinha preguiça de transar. Na hora ele não era ruim, mas para dar a partida era um sufoco, só pegava no tranco!", brinca Andréa.

Mas quando o envolvimento é mais profundo, as coisas não se resolvem com uma simples destituição do cargo. Talvez um investimento em lingeries, cintas-liga e acessórios faça ele esquecer o sono. "Não existe homem que não goste de uma boa sedução. As mulheres são, por natureza, muito espertas, e sabem muito bem como fazer", afirma o sexólogo Hélio Felippe. No entanto, se o show não comove a platéia, o mundo da mulher desaba. "A mulher sofre muito mais do que o homem quando recebe um não. Os homens curtem o jogo da sedução, e a mulher curte o romantismo. Por isso, o fato de ver o investimento indo por água abaixo deixa a mulher muito mal", acrescenta o sexólogo.

Aquela velha história de que "trair e coçar é só começar" pode acabar sendo a válvula de escape para algumas moçoilas a perigo. "Eu gostava do meu namorado, só que ele não me satisfazia sexualmente. Comecei a traí-lo e nosso relacionamento desandou", revela a advogada Jaqueline Siqueira. É por estas e outras que a traição é considerada um terreno perigoso, e nem todo mundo sabe lidar com ela, até mesmo quem trai. "Às vezes a questão é somente sexo, sem envolvimento afetivo, e aí pode ser sinal de necessidade de seduzir ou ser seduzida, se sentir sensual e desejada", diz o sexólogo Hélio Felippe. Só que para a mulher nada é fácil e a infidelidade, que poderia ser a solução de seus problemas (pelo menos os sexuais), quase sempre é uma faca de dois gumes, com uma ponta direcionada para a vida dupla. "Quando as mulheres têm um caso costumam se sentir mais infelizes e culpadas do que os homens. Uma vida dupla é motivo de aflição e infelicidade. Geralmente, elas acabam optando pelo amante, sobretudo se não existem filhos", explica o sexólogo.

A rotina é uma inimiga de peso para qualquer relacionamento. Com ela vem a reboque o tédio, a sensação de que tudo é previsível e a ilusão de que um romance novo resolveria estas pendengas. Portanto, na maioria das vezes, nem existem maus momentos – mas também não acontece mais nada de excepcional. Então a mulher joga a culpa na falta de empolgação do ser humano que divide com ela a pia do banheiro. "O casal conversar e se adequar aos problemas que o cotidiano impõe é fundamental. A mulher tem que ponderar se o homem compensa certas falhas de outras formas, como sendo companheiro, bom pai e a pessoa que ela queira realmente dividir a vida, que vai muito além do sexo", aconselha o sexólogo e presidente do CEPCoS (Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade), Marcelo Toniette. Uma conversa de alcova foi o que deu jeito no relacionamento da fisioterapeuta Suzana Sales. "No início do meu namoro com o Tadeu, eu ficava chateada porque ele nem sempre queria transar, ficava arrasada. Mas depois de me martirizar resolvi sentar e conversar para esclarecer o que acontecia, e ele foi muito sincero dizendo que não tinha tesão 24 horas, que era como não sentirmos fome no mesmo horário", confessa ela que, refeita da constatação, concluiu que ama passear, jantar, namorar e até transar – mesmo que seja menos um pouquinho do que gosta – com ele.

Seja qual for o drama (pouco ou muito sexo) o que deve prevalecer é o amor e o respeito que um tem pelo outro, pois sem eles não se chega a lugar nenhum – e muito menos ao orgasmo. Mas para as mulheres que andam desgostosas com seus eleitos que não cumprem as promessas do período de campanha, para tudo nesta vida tem um jeito. Nem que este seja abrir mão (temporariamente) da velha fórmula do "príncipe encantado" e radicalizar, adotando uma máxima mais realista: "Bom mesmo é o lobo mau, que te ouve melhor, te vê melhor e ainda te devora"!