Erros que acabam com os relacionamentos

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Nem todo amor do mundo basta para manter um relacionamento. É preciso também ter respeito, paciência e saber aceitar as diferenças dos parceiros. Mas a vontade de fazer dar certo e de construir uma relação duradoura faz com que muitas mulheres, mesmo com as melhores intenções, ajam de forma impulsiva e acabem tendo um resultado contrário ao esperado, prejudicando a relação e às vezes até fazendo com que ela chegue ao fim.

"É preciso que homens e mulheres vivam relações de trocas, parcerias e de tolerância as diferenças. Relações mais imaturas são baseadas em competição, poder x submissão, força x fraqueza e esses comportamentos são motivo de afastamento de ambos os parceiros pois produzem relações hierarquicamente desniveladas", explica a psicóloga Cristiane Pertusi.

Principais erros nos relacionamentos

Casar-se rápido demais

É verdade que o período da paixão - em que os parceiros não conseguem tirar as mãos um do outro - é bastante intenso e cheio de alegrias, mas, segundo Cristina, é preciso ter atenção e não se deixar levar por este momento. Isso porque, conforme explica ela, muita gente se casa após pouco tempo de relação e isso pode ser prejudicial a longo prazo.

Para ela, não é uma boa ideia casar-se quando se está apaixonado demais, sem ter tido algum tempo para experimentar a convivência com o namorado ou a namorada. “Vejo que muita gente se casa sem ter claro se a escolha do parceiro é boa, se há compatibilidade de estilos para convivência… O que importa é casar. A escolha é feita no momento de muita idealização da relação”, diz.

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Isso, segundo ela, acontece porque, ainda hoje, a sociedade vê o casamento como uma necessidade, especialmente para as mulheres. “Às vezes existe certo status em dizer que se casou, que não ficou ‘para a titia’. Mesmo que tenha ficado casada por pouco tempo, pois o status de ser separada é melhor e mais confortante internamente do que ser ‘solteirona’”, afirma ela.

Antes do casamento, a terapeuta aconselha refletir sobre seu estilo, seus costumes e sobre a capacidade de compartilhar, dividir e partilhar ideias e posturas diárias, pensar que o casamento é o começo de uma vida a dois, de um trilhar juntos que requer tolerâncias às diferenças e ao desejo do outro.

“A chave para relacionamentos duradouros é maturidade emocional de seus parceiros. E quando houver crises no casamento, que ambos tenham motivação para superar juntos”, explica Cristina.

Pensar no casamento como final e não começo

De acordo com Cristina, outro erro comum das pessoas é enxergar o casamento como um objetivo final, e não como o início de uma nova jornada. Conforme explica a psicóloga, é normal que as pessoas se casem com a ideia de que “se não der certo, basta separar”, mas isso faz com que qualquer obstáculo possa colocar um ponto final (que não precisaria ocorrer) na relação.

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Não equilibrar a independência e a vida em casal

De acordo com a psicóloga, é importante - especialmente para a mulher - manter a independência profissional e financeira, mas também é preciso dosar essa autonomia e essa liberdade, já que elas podem ser fatores de dificuldade para manter uma relação afetiva.

“Para poder relacionar-se com outra pessoa, é preciso saber estar junto com certo grau de equilíbrio, onde ambos permitem-se brilhar. Ora um tem prioridade, ora o outro… E esse movimento emocional requer certo grau de maturidade e disponibilidade interna emocional de ambos”, afirma ela.

Idealizar excessivamente o parceiro ou parceira

Esta vale especialmente para as mulheres, que crescem sob a ideia de que precisam arranjar para si o próprio príncipe encantado. De acordo com a terapeuta comportamental Ramy Arany, o homem e a mulher perfeitos não existem, e deixar de procurá-los é o caminho para engatar relacionamentos mais maduros.

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Isso porque, segundo ela, é comum que as pessoas se deixem levar por essa idealização, pela projeção de desejos e ideais que se faz sobre a outra pessoa, apenas para, com o fim do momento mais eufórico da paixão, ver a imagem “encantada” se desfazer. Aqui, é comum a ideia de que a pessoa “mudou”, mas, na realidade, ela apenas passou a ser vista como realmente é.

A dica da terapeuta, portanto, é buscar a racionalidade no início de um relacionamento, analisando bem se um pretendente tem ou não a ver com você e com seus ideais, tentando enxergá-lo como ele realmente é.

Se doar demais para o parceiro

É claro que, em uma relação amorosa, ambos os parceiros precisam ceder de forma que possam criar um vínculo harmonioso - mas isso não significa tentar modificar completamente “em prol” do outro ou fazer de tudo pela pessoa mesmo quando isso prejudica a própria vida.

Mesmo em um relacionamento, os envolvidos seguem sendo pessoas independentes, e é extremamente importante não se anular na hora de agradar o outro a todo o tempo. Além disso, também é essencial lembrar que a relação é feita de trocas e, quando apenas um se esforça para agradar, há algo de errado nela.

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Deixar todo mundo de lado pela relação

A paixão certamente faz com que as pessoas queiram estar o máximo de tempo junto dos amados e amadas, mas é preciso dosar isso - especialmente no início de uma relação. É comum que as pessoas deixem amigos e familiares de lado gradualmente, optando por sempre sair com o parceiro ou até levá-lo junto em programas em que ele ou ela não se encaixa.

Conforme isso começa a acontecer com frequência, a pessoa pode acabar se isolando - e isso não faz bem para ninguém.

Encarar o ciúme excessivo como algo natural ou "prova de amor"

Sentir ciúme é algo natural, mas, em excesso, pode fazer com que um dos envolvidos (ou ambos) perca a liberdade - algo extremamente problemático. De acordo com a psicóloga clínica Andrea Lorena, as pessoas geralmente têm ciúmes quando percebem que a relação está ameaçada, mas, às vezes, a ameaça não é real, e a situação pode indicar inclusive uma patologia.

Neste caso, é essencial ficar de olho nos sinais. Ataques frequentes de ciúme sem qualquer motivação, reações violentas, proibições (de não ver certos amigos ou familiares), por exemplo, são fatores que indicam uma situação que não deveria estar acontecendo, e é importante que o casal tome providências sobre isso (buscando, por exemplo, terapia).

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É importante lembrar também que isso, às vezes, começa com os hábitos mais "inocentes", como espiar o celular do parceiro ou afirmar que certas roupas não devem ser usadas para sair pois vão atrair a atenção de outras pessoas, então aprender a controlar os próprios impulsos e exercitar a confiança em casal são coisas essenciais.

Não se comunicar

É natural que quem está junto acabe desenvolvendo uma bela sintonia, mas isso não quer dizer que o diálogo é dispensável. Nem sempre as pessoas demonstram aquilo que estão sentindo e é importante que os parceiros estejam cientes de emoções, ideias e valores do outro para que fiquem constantemente na mesma página na relação.

Em um relacionamento, é importante que o casal tenha um verdadeiro hábito de confessar aflições, sentimentos e outras coisas com muita honestidade para que então possam evoluir. Sem conversa, é comum que eles experimentem desencontros, brigas e discussões capazes de se transformar em verdadeiros nós que são bem difíceis de desatar.

A comunicação, porém, não se dá só com palavras; além de ouvir com atenção o que o outro tem a dizer, também é essencial atentar para seus gestos e comportamentos, buscando perceber emoções que podem estar escondidas e sufocadas sob o diálogo verbal

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Não conversar sobre objetivos e sonhos

Especialmente no início de um relacionamento, quando o par sente que o amor vai acabar avançando, é importante que os parceiros sejam sinceros sobre seus objetivos de vida e sobre seus sonhos. É improvável, por exemplo, que alguém que não quer ter filhos consiga ser feliz em um relacionamento com uma pessoa que os quer (e vice versa), e é sempre bom já ter tudo esclarecido desde o início.

Isso, porém, não deve se perder com o passar do tempo. É comum que prioridades e metas mudem e, para ter um relacionamento duradouro, pleno e saudável, os parceiros devem buscar se manter sempre na mesma página.

Criticar demais o parceiro

Quando a paixão acaba - algo que é completamente normal - e dá lugar a uma relação de mais cumplicidade, é bem comum que os parceiros comecem a ter problemas de convivência, mas, de acordo com a psicóloga e especialista em análise comportamental Camila Cury, o caminho não é criticar a pessoa esperando que isso vá provocar uma mudança nela.

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“Geralmente, as pessoas expõem o outro acreditando que o constrangimento é importante para gerar mudança, mas acontece o contrário. A pessoa exposta sente-se invadida emocionalmente e pode se fechar a qualquer iniciativa de reflexão e mudança”, explica ela, indicando que o melhor é, antes de criticar, fazer um elogio.

O momento em que esse elogio e essa crítica são feitos, inclusive, também importa. Elogiando a pessoa em público, por exemplo, ela pode se sentir mais valorizada, enquanto criticá-la no particular é uma técnica melhor para iniciar uma conversa e então possibilitar um aprendizado.

Não reconhecer os próprios erros

É natural que os parceiros tenham de mudar ou aperfeiçoar certos comportamentos para garantir o bem da relação, mas, antes de exigir que o outro o faça, é preciso buscar essa mudança dentro de si - e isso começa com o duro hábito de reconhecer os próprios erros. Segundo Camila, isso é difícil, mas provoca um belo aprendizado.

“Quem acredita que os problemas são sempre do outro não possui maturidade emocional e pode levar suas dificuldades até o fim da vida, sem reeditar a história”, diz ela.

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Não respeitar os passatempos e hobbies um do outro

Para manter a individualidade, é importante que os parceiros não deixem de lado coisas que gostam de fazer - como a prática de um esporte, um encontro semanal com amigos, o gosto por jogar videogames, entre outros. Muitas vezes, porém, quando estão empenhados nestes passatempos, o parceira ou parceira se chateia por não estar recebendo atenção, e isso nem sempre é bom.

É claro que, em uma relação, é importante que exista equilíbrio, ou seja, não dá para passar todas as noites na frente da televisão e deixar a outra pessoa constantemente de lado, mas é importante que ambos entendam a necessidade do outro de se distrair e fazer as coisas de que gosta sem julgamentos nem cobranças.

Aqui, novamente entra a questão do diálogo. Caso um dos parceiros se sinta menosprezado frente a um passatempo, ele precisa comunicar o outro para que eles consigam resolver a questão da melhor forma possível, entendendo melhor o momento e arranjando soluções que não prejudiquem nenhum dos dois.

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