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Amor de verão

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Durante o verão, como todo mundo sabe, os termômetros batem recorde. Mas não é só no sentido literal que o clima fica quente, não. Na estação mais badalada do ano, com sol ou com lua, o importante é estar na rua! É festa pra cá, chopinho pra lá, e praia é que não pode faltar. Shows, bandas, blocos de carnaval, enfim, folia o suficiente para que o sangue ferva, os corações batam mais acelerados e aconteça de tudo - e mais um pouco, claro. Para quem não está interessada em começar um relacionamento sério, perfeito: amor de verão é o que há. Para aquelas que estão à procura de um par, atenção: não subestimem um amor de verão! Pois essa matéria vai comprovar que o verão pode ir e o amor, ficar. Se animou? Então corra, porque faltam apenas alguns dias para o verão acabar.

Quem entrou no clima do verão e acabou indo parar numa praia que não era a sua foi a estudante de direito Fernanda Amorim, de 22 anos. Não muito fã de música baiana, nem do clima "ninguém é de ninguém", ela caiu de pára-quedas numa micareta e se surpreendeu quando o cara que beijou não virou as costas e foi embora. "Fiquei com ele o show inteiro, o que já é muito difícil. Geralmente as pessoas se beijam e vão embora. Ele ficou de me ligar e, por incrível que pareça, ligou!", comemora a estudante que, mesmo depois de receber o telefonema, continuou descrente na relação. "Eu achei que ele não fosse querer continuar ficando comigo. E realmente, até agora, mesmo depois de dois meses, nossa relação não chegou nem perto de se tornar um namoro", reclama Fernanda. Mas ela confessa que mais vale um amor de verão na mão do que dois voando. "Melhor ter alguém para sair de vez em quando do que esperar sentada o príncipe encantado", brinca ela.

Ainda não foi comprovado pelos cientistas, mas talvez seja a quantidade de sol na cabeça que desnorteia até os foliões mais mulherengos. Aconteceu com o estudante Marcelo Fonseca, de 23 anos, que foi passar o carnaval em Salvador e viu seus planos irem por água - para refrescar! – abaixo. "Viajei com intuito de pegar o mais perto de mil mulheres possível. Peguei algumas, aí conheci a Carol, minha ex", conta ele, quase inconformado. "Essa é uma história triste", brinca. Até que confessa. "Foi muito bom, a gente se identificou muito e acabamos passando o carnaval inteiro juntos. Voltamos pro Rio namorando", diz. Se o namoro resistiu ao término do verão? Aí você já está querendo demais! "Aqui no Rio a coisa mudou. Morávamos distante um do outro e namorávamos muito mais por telefone do que de verdade. Chegamos à conclusão de que um estava empatando a vida do outro", explica.

No caso da jornalista Juliana Morete, de 25 anos, o problema foi exatamente não poder voltar à terra natal com o seu mais novo xodó nos braços. Ela é do Rio e André, por ironia do destino, de Recife. Os dois se conheceram em Ilha Bela e durante os três dias que estiveram juntos (colados!) transbordou sintonia para tudo quanto foi lado. Com a viagem de volta marcada, só sobrou mesmo a aposta de que esse poderia ter sido um amor de muitos verões e primaveras. "Nossa relação estava fadada a ter uma curtíssima duração. É uma pena não poder ver o que uma oportunidade como essa poderia ter dado", lamenta ela. Será que tanto encanto realmente resistiria por mais tempo? Até a protagonista da história, no fundo, desconfia: "O lado bom é que só tenho lembranças boas para guardar. De repente, se morássemos na mesma cidade, teríamos voltado e visto que não fomos mesmo feitos um para o outro. Mas isso é tudo suposição. Quem sabe?", divaga Juliana.

Apesar de chover casos como esses, amores de verão deslanchando em finais felizes não são um mito, pode acreditar. O caso da estudante Marcela Caputti está mais para um milagre – mas tudo bem. As férias tinham acabado de começar e ela aceitou o convite da vizinha para ir a uma festa sabia-se lá de quem. Entrou de penetra na festa do futuro namorado, que – detalhe! – a esta altura namorava há mais de seis anos e estava noivo (!). A infeliz noiva não pôde comparecer e Marcela, sem saber do compromisso do anfitrião, tascou-lhe um beijo na hora de ir embora. "E então ele se apaixonou!", diz ela, deixando a modéstia de lado. Foi só um mês mais tarde, depois de alguns encontros, que Marcela descobriu que o pretendente estava noivo, ou melhor, havia estado: "Estávamos no telefone e perguntei sobre o antigo namoro dele. Então, ele disse que tinha terminado fazia duas semanas. Levei o maior susto. Fiz as contas e percebi que ele tinha chifrado ela comigo!", ressalta ela. E o resultado dessa história, por incrível que pareça, já está completando dois anos e três meses de duração. "Ninguém termina um relacionamento de seis anos e engata em outro sem saber bem o que quer. Me sinto privilegiada", explica.

O designer Rodrigo Simas, de 26 anos, foi passar o carnaval de 1999 em Laguna, Santa Carina. Esse era um fato isolado, sem maiores conseqüências, até que ele mostrou as fotos da viagem para uns amigos. Um deles era de Florianópolis que vinha sempre ao Rio. "Cara, essa é a Diedre! Minha melhor amiga!", gritou o catarinense, apontando uma das fotos. "Na mesma hora, ligamos para ela e começamos a sacanear", lembra Rodrigo. Mesmo depois de tanta coincidência, eles acabaram perdendo o contato. Trocavam um e-mail mês sim, mês não. Rodrigo foi morar em Floripa, não por causa dela, mas porque esse era um plano antigo. Mesmo tão próximos, ficaram uns sete meses sem se ver. Foi quando... "De repente, não sei porque, mandei um email pra ela e ela respondeu", conta o designer. "Só começamos a namorar depois que eu já estava há um ano em Floripa. Quando voltei pro Rio, ela veio comigo", orgulha-se. E não pense você que a menina ficou perdida, sem ter o que fazer no meio dos compromissos do namorado: "Ela conseguiu um estágio aqui e depois foi contratada", diz ele. Moral da história? O próprio Rodrigo conclui: "Morar junto é sempre complicado, mas acho difícil que algo pudesse ter dado mais certo". Se ainda assim você duvida que por trás de um simples amor de verão possa estar o parceiro que você tanto procurava, paciência...

Ainda não se convenceu de que seu promissor pretendente pode ser, quem sabe?, o carinha que mexeu contigo na praia, no domingo de manhã? Ou que pode estar no mesmo bar que você, só que na mesa ao lado? Olha! Vem ele pedir o seu telefone! Meio improvável? Então, lá vai a sua última chance deste verão.