A segunda chance

88262

Muitas vezes nos pegamos pensando no que faríamos se nosso amado nos traísse, em como reagiríamos, se perdoaríamos ou se viraríamos as costas para nunca mais olhar para trás. Existem por aí mulheres que tiveram que encarar isso na vida real e, ainda assim, conseguiram passar por cima da infidelidade dele. Tudo em nome do amor.

Para os especialistas, perdoar uma traição é algo extremamente difícil, pois envolve diversos fatores que devem ser pesados. "Em uma situação onde você tem uma comunhão de corpo e alma, e onde existe um compromisso, e um 'contrato' de fidelidade, a traição é inadimissível. Mas tem quem consiga aceitar", afirma a sexóloga e terapeuta de casais Cristina Werner.

A publicitária F.A.*, de 34 anos, é uma dessas mulheres que conseguiram seguir em frente com o relacionamento. Ela ainda foi capaz de dar um passo ainda maior: aceitou se casar com ele. "Foram três traições. Eu decidi continuar com ele, mas fiquei muito magoada e nunca mais confiei da mesma maneira", conta ela. E a terapeuta explica essa desconfiança contínua, mesmo com o passar dos anos.

"O grande problema da traição é que se abre um circuito sináptico. É como comprar uma roupa nova. Você pode largar aquela roupa no fundo do armário e nunca mais usar. Mas sabe que ela está ali, e pode pegá-la a hora que quiser", ilustra Cristina. Ela afirma que existe quem verdadeiramente se arrependa do ato, e de todos os danos consecutivos a ele.

Mas como, além de perdoar, conseguir se casar com o homem que traiu você um dia? Cristina explica que é sempre "um risco" aceitar se você tem alguma dúvida. "A realidade do casamento é muito diferente. Muita expectativa é colocada no parceiro e na relação. Idealização de uma completude, de um amor eterno, da metade da laranja", afirma a psicóloga Aline Cataldi.

O primeiro passo para conseguir seguir em frente é simples: o perdão. Ele tem que pedir desculpas sinceras, e você tem que realmente estar disposta a perdoar. "O perdão independe da razão, ele depende da vontade", afirma Cristina, que garante que quem carrega a mágoa é sempre o lado traído.

Deve-se sempre pesar se vale a pena continuar. "Sempre vai existir esse pé atrás para mim. As traições aconteceram quando ele viajava muito a trabalho. No último mês ele voltou a viajar e eu estou muito receosa com relação à fidelidade dele", conta F, que está casada há cinco anos. Cristina explica que a "hipervigilância" é algo comum, mas que pode ser devastadora.

A solução é "zerar o odômetro". Esquecer o que ficou para trás, e partir a relação do zero, por mais difícil que isso pareça - e isso é essencial para manter o equilíbrio do relacionamento. "O mais importante é a pessoa escolher estar com a outra. Se ela ama e quer estar com ela, mesmo com um histórico de traição no relacionamento, ela tem a opção de querer continuar com a pessoa ou não. Se ela optar por seguir a relação, ela deve tentar deixar para trás o que aconteceu e tentar confiar", explica Aline.

Uma dica da terapeuta Cristina é a projeção. "Aconselho quem viveu uma traição sem justificativa a pensar como vai estar a relação em cinco anos", diz ela. Se você consegue se imaginar ao lado dele, com uma relação estável e tranquila, vá em frente. Caso o contrário, o melhor a se fazer é sair desse barco, por mais difícil que isso possa parecer.

Já curtiu a página do BOLSA DE MULHER no Facebook?

Leia também:

- Dados da traição - Pesquisa mostra que mais da metade dos brasileiros já traiu seu parceiro

- Traição virtual - Sites para amantes estão chegando no país para ajudar as pessoas a "pular a cerca"

- Traição - Trair é fácil, difícil é perdoar. Ou é o contrário? Veja quem já passou pelo dilema