Relato de assédio no metrô: reação das pessoas fará você refletir. Como você agiria?

abuso sexual transporte
Shutterstock/Alf Ribeiro / arte Bolsa de Mulher

O assédio sexual em locais públicos é uma realidade na vida das mulheres - diariamente, muitas são expostas a situações constrangedoras, vexatórias e de risco. Somente no último ano, foram registradas mais de 17 ocorrências de mulheres molestadas no transporte público de São Paulo, de acordo com a Delpom (Delegacia de Polícia do Metropolitano). Destas, 16 foram categorizadas como importunação ofensiva ao pudor e uma como estupro.

No entanto, estima-se que a maior parte dos casos não sejam denunciados pelas vítimas ou não sejam prontamente atendidos, como parece ser o caso da estudante Anna Caroline Kaptchouang, que usou suas redes sociais para relatar um abuso sofrido no metrô, meio de transporte mais utilizado na capital paulistana.

https://www.facebook.com/carolisbolada/posts/1010939592313658

Entenda o caso

De acordo com a estudante, ao embarcar no metrô na manhã desta terça-feira (22), ela notou comportamento estranho em um homem que estava no vagão e se aproximou dela. Ela, então, decidiu reportá-lo ao sistema de denúncia do metrô, que disponibiliza um número especial para atender a vítimas de assédio.

Ao longo da viagem, Anna diz que o homem tentou levantar seu vestido e chegou a ejacular em sua roupa. "É importante falar também que foram praticamente oito estações sendo assediada e agredida física e verbalmente e ninguém me ajudou, nem que fosse para sair do vagão", escreveu em sua página no Facebook.

Culpabilização da vítima

A estudante relatou ainda que ao pedir ajuda para um segurança do metrô, ele teria dito que ela foi assediada pois estava com vestido muito curto. Outros comentários nas redes sociais da jovem ainda disseram que ela "não saiu do vagão porque não quis".

Nesse ponto, interessante ressaltar que uma pesquisa realizada pelo Ipea em 2014 revelou um dado assustador: 26% dos 3810 entrevistados afirmaram que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas.

Concomitantemente, o órgão divulgou um relatório sobre o assassinato de mulheres no Brasil: entre 2009 e 2011, ocorreram mais de 17 mil homicídios no país. Nesse contexto, a falta de empatia, informação e socialização também são silenciadores e vilões na vida das mulheres.

https://twitter.com/teenages0unds/status/712306488522448896

Denúncia

Anna Caroline contou em seu Twitter que não recebeu uma resposta do Metrô de São Paulo, apesar de ter solicitado urgência no atendimento.

https://twitter.com/teenages0unds/status/712305338960187392

No entanto, a empresa afirma que enviou funcionários à estação em que a denúncia foi feita: "o Metrô está em contato com a usuária e fez um convite para que ela vá até o Centro de Controle de Segurança para conhecer o trabalho e auxiliar na averiguação do ocorrido e identificação do agressor. A ViaQuatro também está à disposição da usuária para ajudar a esclarecer o ocorrido. O Metrô Informa que, após receber o SMS-Denúncia, agentes de segurança da empresa foram ao vagão descrito pela usuária em duas ocasiões, entretanto, não houve manifestação dos passageiros".

Fui assediada no transporte: o que fazer?

Qualquer mulher que tiver o corpo tocado por desconhecidos pode e deve denunciar. Em entrevista ao Bolsa de Mulher, a delegada de polícia Mônica Gamboa explicou que o primeiro passo é dar um dar um grito de advertência para que as pessoas ao redor percebam o que está acontecendo e intercedam em favor dela. "Esses cidadãos também podem servir de testemunhas na delegacia. Além disso, é importante que a mulher reúna o máximo de informações sobre o agressor para ajudar na identificação: um sinal físico, roupa específica ou tatuagem", ressalta.

Depois, a mulher deve procurar um agente de segurança do transporte, ou policial, ou se encaminhar diretamente para a delegacia. "Na delegacia, ela deve se manter firme no propósito de processar o criminoso, autorizar uma representação e fazer o reconhecimento fotográfico ou visual. Após o boletim de ocorrência, a vítima tem seis meses para fazer representação", explica.

A polícia envia uma notificação ao criminoso ao identificá-lo e ele deve comparecer para o julgamento. Por ser um crime anão, a pena é alternativa. O mais importante, realça a delegada, é que as mulheres não desistam de processar o agressor e sigam com a denúncia até o fim.

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