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5 coisas do cotidiano criadas por motivos sexistas que você não sabia

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Reprodução/Willys-Overland Motors

Precisamos de tanta coisa e temos acesso a tantos dispositivos, que mal há tempo de parar para pesquisar a origem de tudo o que nos ronda. Por que o câmbio automático foi criado? O que a temperatura do ar condicionado tem a ver com o direito das mulheres?

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Estes itens a seguir mostram que a separação entre ‘o que é pra homem’ e ‘o que é pra mulher’ precisou ser readequada a partir de novas necessidades tecnológicas.

Confira 5 coisas do cotidiano criada por motivos sexistas:

#5 Salário mínimo

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Reprodução/Collier's Weekly

Hoje o salário mínimo é determinante para a economia de um País, mas quando foi criado, nos Estados Unidos, no início do século XX, o propósito era outro. Os argumentos de sua criação: fazer com que as mulheres, consideradas “fracas demais para jornadas de 10 horas de trabalho”, ganhassem pelo menos 25 centavos de dólar por hora. O objetivo era diminuir consideravelmente as ‘tentações’ à prostituição. Foi em 1938, após a Grande Depressão, que a congressista Frances Perkins (amiga próxima do presidente Franklin Roosevelt e primeira mulher parlamentar de seu país) estabeleceu que o salário mínimo deveria ser estendido a todas as categorias, tanto para a mulher, quanto para o homem.

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#4 Carro automático

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Reprodução/Willys-Overland Motors

No Brasil, apenas os carros mais novos já vêm com câmbio automático de fábrica. Nos Estados Unidos, porém, é diferente: muito dificilmente se encontra um automóvel com marchas. Mas, quando foi criado, nos anos 1950, o carro automático surgiu com a premissa de ‘facilitar’, para que as mulheres pudessem dirigir. As propagandas de carros da Chevrolet daquela época, por exemplo, mostravam as mulheres ao volante desses carros, como se os fabricantes tivessem criado a ‘solução’ para que elas fossem ‘capazes’ de assumir o volante. Ao argumentarem que a inovação da época era ‘a mais inteligente das formas de dirigir’, como diz um anúncio, as marcas automaticamente subestimaram a capacidade delas. A expressão veiculada por outro anúncio publicitário da época entregava o claro tom sexista dos carros automáticos: “Minha mulher nunca poderá entender”.

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#3 Relógio de pulso

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Shutterstock

Antes da I Guerra Mundial, o relógio de pulso era propagado como um acessório feminino (os homens usavam mais relógios de bolso) – tanto que, num artigo de 1916, o jornal New York Times dizia que “artistas e atores de cinema têm utilizado [os relógios] para fazer graça, como um modismo bobo”. Os europeus estimularam os militares a usarem relógios de pulso no campo de batalha, por suas qualidades que hoje já estamos cansados de saber: praticidade ao ver a hora, conforto, facilidade etc. Desde que um militar, uma profissão ainda mais masculinizada naqueles tempos que na atualidade, podia usar aquele acessório, logo o relógio de pulso se popularizou também entre os demais homens.

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#2 Churrasqueira

churrasqueira
Reprodução/Cruzine

No começo do século XX, os pequenos grills foram criados para que soldados pudessem transportar em seus acampamentos. Compacto e fácil de usar, era ideal para cozinhar de forma prática. Em meados dos anos 1950, o aprimoramento das churrasqueiras fez com que inventores como George Stephen criasse um modelo com tampa e pernas de metais, para ficar numa estatura confortável aos ‘cozinheiros’. Passou a se propagar, então, que as churrasqueiras seriam ‘uma forma de ter os homens em casa’, tendo como pano de fundo o retorno dos soldados da II Guerra Mundial (e, ocultamente, claros motivos sexistas). Naquela época, os publicitários acreditavam que ter o homem como público-alvo seria uma forma de vendê-las com eficácia, já que eles usualmente proviam o sustento da família.

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#1 Ar condicionado

sexista ar condicionado
Shutterstock

Quando o primeiro modelo de ar condicionado (Standard 55) foi criado, em 1966, os engenheiros pesquisadores da Sociedade Americana de Aquecimento, Refrigeração e Engenharia de Ar Condicionado consideraram apenas uma pesquisa feita com homens, calculando o equivalente metabólico de uma tarefa e o quanto de energia que se gasta numa atividade física. O modelo ideal de homem que serviu como cálculo: 40 anos e 70kg. A partir disso, analisaram a vestimenta utilizada pelo homem no trabalho: terno, sapatos e acessórios. Esta escala é classificada como ‘clo scale’. Juntando essas medições, criou-se o padrão termostático mantido até hoje. Só ‘esqueceram’ de considerar alguns ‘detalhes’, como o fato de que as roupas das mulheres não encobrem tanto o corpo como a dos homens. Uma pesquisa publicada na revista Nature em 2015 comprovou que a medição (errada) dos ares condicionados é uma das grandes responsáveis pelos resfriados no mundo inteiro, principalmente nas mulheres.

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