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Elitismo, preconceito, música ruim: 9 razões para contestar o sertanejo universitário

luan santana
Getty Images

Há quem não aceite que o sertanejo universitário veio pra ficar. Afinal, há pelo menos cinco anos ele não sai das paradas musicais.

Seja nas rádios FM, na TV aberta e até mesmo na internet e nos serviços de streaming, ouvimos e vemos o sertanejo universitário se apropriar de diversos elementos da ‘música de raiz’ para justificar uma unidade que não existe. No fim, é um atalho para ser pop e reconhecido, já que a qualidade passa longe, muito longe de suas composições.

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Confira a seguir as 9 piores coisas do sertanejo universitário:

#1 Paga de romântico, mas é sexista

“Se bebe tudo elas liberam geral”. Não bastasse estragar o clássico dos Talking Heads (“Psycho Killer”), o sertanejo Henrique Costa enfatiza um discurso muito usual ao sertanejo universitário: o apreço pela ‘mulher fácil’, para eles assegurado pelo consumo de bebidas alcoólicas. Já parou pra pensar que a maioria das ‘duplas de sucesso’ são de homens? Isso vem desde Chitãozinho & Xororó. Thaeme & Thiago e Simone & Simaria não chegam nem perto do extenso rol de duplas masculinas, como Henrique & Juliano, Marcos & Belutti, Jorge & Matheus

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#2 Clipes fofos, mela-cuecas e, pior, em câmera lenta

https://www.youtube.com/watch?v=CMot9oCm8rYOs clipes de música sertaneja são bem produzidos, disso não tenha dúvidas. Um amor carente, uma pessoa festeira. Não importa muito: assim como a música, o vídeo tem que entreter, seja confortando corações apaixonados ou enfatizando a bebedeira irresponsável. O que não entendo é: como eles acreditam que o uso exagerado de cenas com câmera lenta funcionam?

#3 Mulheres têm que ser estonteantes

https://www.youtube.com/watch?v=afKp9gKzFQoAs mulheres desejadas precisam cumprir rígidos padrões de beleza se quiserem ‘ilustrar’ os falsos sentimentos dessas duplas sertanejas. De preferência, devem usar roupas curtas e se mostrar disponíveis tanto para o excesso de carência de suas canções, como para as bebedeiras infindáveis.

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#4 Pagam de ‘sertanejo’, mas de sertanejo não tem nada

https://www.youtube.com/watch?v=zd2rI53qdxUEste subgênero musical ganhou a alcunha de ‘universitário’ por conta do crescente ingresso de jovens nas faculdades nos anos 1990 e, principalmente, anos 2000. Mas, comparativamente, o sertanejo universitário artificializou o sentimento tão caro à música de raiz. As pirotecnias de shows disputadíssimos são muito, muito distantes daquela imagem de dois caras com um violão falando sobre o cotidiano de quem vive na zona rural. Com o passar dos anos, o ‘universitário’ já deixou de se ver ‘de raiz’ há muito tempo.

#5 A falsa ‘associação’ com outros gêneros

https://www.youtube.com/watch?v=JFnWGEDZGBkSertanejo é audiência. E audiência requer concessões. Quer dizer… No mundo pop a junção de ídolos é uma ferramenta eficaz de sucesso. Chamem Lucas Lucco e MC Bin Laden de oportunistas por se unirem em “Tá Tranquilo, Tá Favorável”, mas eles se baseiam na mesma lógica que juntou Marcos & Belutti e Wesley Safadão em “Aquele 1%”. Resultado: foi o clipe brasileiro mais visto no YouTube em 2015.

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#6 Padrão de vestimenta? Desde que seja roupa cara…

https://www.youtube.com/watch?v=PTpbDBD3PTYNão há preocupação alguma com ‘identidade’ quando se fala em sertanejo universitário: cabelo arrepiado ou com chapéu, calças com fivelas ou justíssimas, com barba ou sem barba – o que vale é seguir as tendências da moda e incorporá-la ‘conforme a carruagem’. Pode parecer com ‘boy band’ ou usar o estilo coxinha classe média esporte fino. O que importa é usar roupa cara.

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#7 Um milhão de duplas que fazem a mesma coisa

https://www.youtube.com/watch?v=OzDkgc9bVhQQue coisa? Música falsamente amorosa.

#8 Casas noturnas preconceituosas

discrminacao villa mix
Reprodução

O Villa Mix, casa noturna que toca sertanejo num bairro nobre de São Paulo, já recebeu diversas acusações de discriminação racial e social – a imagem acima mostra o teor de uma conversa entre um promoter e uma mulher interessada em visitar a casa. Uma página no Facebook foi criada para expor esses abusos: de início, chamava-se Boicote ao Villa Mix, mas, de tantas denúncias contra outras casas noturnas de sertanejo, acabou adotando o reducionismo Boicote Mix. O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito em 2015 e disse investigar a casa. Um dos relatos incorporados a esse inquérito diz: “Eles barram negros, eles barram pessoas humildes, eles barram gente gorda”.

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#9 Refrãos imbecis e repetitivos

https://www.youtube.com/watch?v=Z1ZKaR-9Kt4Começou com “Tchê tche-re-rê tchê tchê”. Tem um tal de “lê lê lê” aí… Não vale a pena seguir com esse tópico.

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