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Análise: "Star Wars: O Despertar da Força" é tudo o que esperávamos e ainda mais

Quase uma semana depois de J.J. Abrams (“Lost”, “Super 8”) ser confirmado como o diretor do sétimo capítulo da saga “Star Wars”, foi questionado com a pergunta que todo fã das antigas considera essencial: “quem atirou primeiro, Han ou Greedo?”, em relação a uma cena do primeiro filme lançado, “Uma Nova Esperança”. A resposta foi a melhor possível: “nunca houve um segundo tiro”.

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Com a trilogia original em mente e a vontade de levar às novas gerações a série que mudou a cultura pop no século XX, Abrams entrega um filme redondo, saudosista e um deleite para os olhos.

A partir daqui, o texto possui PEQUENOS SPOILERS. Continue lendo, se não se importa com isso.

despertar da forca
Divulgação

Tecnicamente, “Star Wars: O Despertar da Força” é o melhor de toda a saga. É evidente a preocupação do diretor em mostrar os aspectos mais interessantes de cada cena, usando ângulos não tradicionais e aproveitando tudo o que o 3D tem de bom. Repare nas sequências de perseguição, onde as naves fazem questão de passar por entre objetos e o mais perto possível do solo (nenhuma delas toma lugar no espaço), definindo a magnitude dos cenários e objetos através da profundidade dos takes. Nada é jogado na sua cara como no 3D comum, ele é apenas usado para te colocar no mesmo espaço que os personagens e dar vertigem nas melhores cenas de ação da série.

O uso de efeitos práticos, como bonecos e maquiagem para as criaturas e os cenários todos reais, traz de volta o tom da primeira trilogia, afastando a artificialidade dos capítulos I, II e III lançados posteriormente. A computação gráfica toma conta da tela em momentos-chave e representam um marco para a tecnologia atual. A cena com o raio destruidor de planetas da “nova Estrela da Morte” é maravilhosa, enchendo os olhos com uma beleza digital que ressalta o lado sombrio da sequência (todos os personagens ficam no escuro enquanto o raio, vermelho sangue, mancha a tela ao se deslocar).

Para agradar a galera que cresceu assistindo a “Star Wars”, Abrams e o roteirista Lawrence Kasdan de “O Império Contra-Ataca”, trazem de volta a tríade de personagens originais, Luke, Han e Leia, mas o destaque fica mesmo com a turma nova. Daisy Ridley, que interpreta a catadora de sucatas Rey, é a melhor atriz que já passou pela saga e carrega o fardo de ser o Luke da vez. Finn é seu companheiro de cena e o ator John Boyega mostra seu talento tanto para o drama quanto para a comédia. E o filme possui momentos engraçadíssimos.

As rimas com a história original, como a jornada do herói aqui representada por Rey, não soam gratuitas e trarão um sorriso no rosto dos velhos espectadores durante toda a projeção. Para o novo público, o filme traz a dupla de protagonistas e o vilão perfeitos para a atual geração. Jogando no lixo qualquer preconceito, somos apresentados à variedade que um universo desse tamanho precisa ter, com a imagem feminina poderosa, o Stormtrooper negro com crises de pânico e uma força de vontade louvável, e o vilão Kylo Ren com problemas paternos e uma profundidade que Darth Vader nunca viu (mais hipster, impossível).

Talvez um ponto fraco do filme seja a pouca explicação do contexto em que se passa. Não sabemos da onde surgiu a Primeira Ordem liderada por Kylo Ren, uma espécie de grupo neonazista que quer repetir os feitos de Vader, nem qual a função da Resistência comandada por Leia no funcionamento da República. Mas é compreensivo que aprofundar demais na mitologia da série com essas histórias poderia afastar qualquer pessoa que nunca viu os filmes antigos. Em compensação, essa relação entre a Resistência e a Primeira Ordem dá fruto a uma das cenas mais impressionantes do filme, com o General Hux (que disputa a liderança com Kylo Ren) na frente de um exército de Stormtroopers gigantesco, uma bandeira vermelha atrás e um discurso inflamado inspirado em Hitler. J.J. Abrams mostra sua sensibilidade ao deixar as abas do quepe do general formarem dois chifrinhos quando a câmera o filma debaixo para cima.

É louvável a coragem que os realizadores, incluindo o produtor de “Lost” Bryan Burk, tiveram ao colocar tramas que afetam toda a história da saga. Um ponto definitivo que deixa qualquer espectador de boca aberta e sem saber o que fazer durante alguns minutos. Além disso, a história é uma das mais coesas entre todos os filmes, definindo uma trajetória certa de Rey, Han e Finn em busca de Luke Skywalker, desaparecido há anos. E o tema também fica muito claro: a passagem de bastão entre os novos e velhos personagens (e, porque não, entre os públicos também).

A cereja do bolo fica com a volta de C-3PO, R2-D2 e Chewbacca, que também aparecem para esquentar o coração dos fãs e passar a função de bichinho/robô engraçadinho para BB-8, a bolinha tecnológica mais fofa do mundo, que tem momentos que já entraram para a história (todos vão querer ver a cena dele descendo as escadas caindo um milhão de vezes). Então, “Star Wars: O Despertar da Força” traz muita diversão e surpresas, com um apuro visual inesperado e um ótimo gancho para as continuações. E é feito para ser assistido no cinema com a maior tela e o som mais alto que você puder.