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Índios americanos já reconheciam 5 tipos de gêneros sexuais antes da colonização

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ShutterStock

Gênero é um conceito que diz respeito às condutas sociais das pessoas. Feminino ou masculino são as opções que você tem quando vai realizar um cadastro em algum lugar, por exemplo.

Mas, anos atrás, antes da colonização europeia, os nativos americanos consideravam a existência de 5 gêneros: masculino, feminino, dois espíritos femininos, dois espíritos masculinos e transgênero.

Essa cultura de muitas tribos indígenas norte-americanas virou uma tradição e recebeu o nome de “Dois Espíritos”, explica o site de notícias indígenas India Country Today.

Tipos de gêneros sexuais

Os nativos acreditavam que algumas pessoas nasciam com o espírito de dois gêneros e os expressavam perfeitamente, como se tivessem dois espíritos no mesmo corpo.

Eram consideradas pessoas de sorte pelos familiares. Sua capacidade de conseguir ver o mundo com os olhos dos dois gêneros era visto como um presente de Deus.

Acreditava-se que tinha o intelecto mais desenvolvido, e por isso, ocupavam posições de respeito, como dentro da Medicina, por exemplo, podendo escolher desenvolver tanto atividades consideradas de mulher ou de homem.

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World Economy/Youtube

Era costume dos pais não interferir na natureza do filho. Crianças usavam roupas neutras até a idade que decidissem qual padrão seguiriam e nenhuma das suas características sexuais eram ligadas diretamente à moral. A pessoa era julgada por suas contribuições para a tribo e pelo seu caráter.

“Na minha cultura, temos pessoas que se vestem metade de homem, metade de mulher. Winkte, nós os chamamos na nossa língua. Se você é um Winkte, isso é um termo honroso e você é um ser humano especial. Além disso, minha nação te considera um professor das nossas crianças e somos orgulhosos do que e de quem você é”, explicou o ativista dos direitos nativos co-fundador do movimento indígena, Russel Means, durante aula na Faculdade da Comunidade Indígena Navajo, em 1995.

Dois espíritos

O nome “Dois Espíritos” surgiu da necessidade desses indivíduos de serem reconhecidos por um termo universal, independentemente da tribo que fizessem parte.

Cada tribo usava um termo diferente. Por exemplo, os Navajo falavam dos dois espíritos como Nádleehí (transgênero); os Cheyenne, em Hemaneh (metade homem metade mulher), entre diversos outros.

Antes do século 20, usava-se o termo geral “berdache” para falar das pessoas de dois espíritos. A palavra, de origem francesa, significava pederasta, sodomita, termos que se referem à homossexualidade masculina.

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Hillers, John K.//Smithsonian Institution

A foto é de We’wha (1849-1896), uma das personalidades mais famosas considerado uma pessoa “dois espíritos”.

Ele pertencia a nação Zuni, e era biologicamente homem, mas tinha um espírito feminino. We’wha era muito inteligente e, em 1886, virou embaixador dos nativos em Washington, nos Estados Unidos.

Por que quase não se fala disso?

Jesuítas e exploradores franceses e ingleses não aceitavam a condição e acreditavam que a tradição deveria ser extinta antes que se espalhasse e ficasse permanente na história.

Então, durante a colonização, eles forçaram os nativos a se definirem a partir dos gêneros feminino e masculino. Aqueles que não conseguiam, ficavam clandestinos ou se suicidavam.

As leis, com influências cristãs, passaram a proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a aceitação da diversidade de gênero e das pessoas andróginas (que estão entre o masculino e o feminino) foi dimuindo ao longo dos anos.

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