Polêmica em "Como Eu Era Antes de Você": diferenças entre suicídio assistido e eutanásia

istock 81500777 small tratada
KatarzynaBialasiewicz/istock

Revivido pelo filme “Como Eu Era Antes de Você”, a prática do suicídio assistido ainda é polêmico pelo mundo. E  apesar de muito próximos, os conceitos de “suicídio assistido” e “eutanásia” são diferentes. Entenda mais a seguir.

O que é o suicídio assistido?

É a morte induzida, realizada em doentes terminais, por decisão deles mesmos. Costuma ser realizado por pessoas que dependem 24 horas de outra ou que estejam sofrendo dores consideradas insuportáveis. As regras são diferentes em cada país em que a prática é permitida, mas em todos eles, é necessário que o paciente esteja completamente consciente. É ele quem toma essa decisão.

Eutanásia e suicício assistido: qual a diferença entre eles?

como eu era antes de voce1 pb
Warner Bros. Pictures/Youtube

Diferente da morte assistida, que decidida pelo próprio paciente, a eutanásia é um ato de um terceiro que provoca a morte de um paciente terminal, para evitar seu sofrimento.

Tipos de eutanásia

Passiva ou ortotanásia - é quando a morte ocorre de forma mais natural. Quando apenas se suspendem medicamentos ou aparelhos que mantinham a pessoa viva.

Eutanásia de duplo efeito - é a aceleração da morte, para aliviar o sofrimento, dentre outras.

Distanásia - é o prolongamento do momento da morte, com medicações e aparelhagens, que fazem a morte acontecer de forma mais lenta e dolorosa.

Morte no filme “Como Eu Era Antes de Você”

como eu era antes de voce
Warner Bros. Pictures/Youtube

No filme, o tetraplégico Will Traynor decide pelo suicídio assistido e se desloca até a Suiça para realizar o procedimento, acompanhado de Louisa, sua amante e cuidadora, e de sua família. Essa cena vem gerando grande comoção e polêmica - principalmente entre deficientes, que acreditam que a decisão do personagem reforça a ideia de que deficientes não podem viver bem.

A empresa que realiza o procedimento na trama é a Dignitas, que é existe de verdade e é uma das mais conhecidas e criticada pelo mundo.

Mas não é só na Suiça que essa prática  é permitida. Na Holanda, Bélgica, alguns estados dos Estados Unidos e a Alemanha, a morte assistida também é realizada. No Brasil, tanto a eutanásia como o suicídio assistido não são só proibidos, mas também são considerados crimes.

Suicídio assistido: contra ou a favor?

istock 36258250 small pb
KatarzynaBialasiewicz/istock

Marina (nome fictício) é tetraplégica e membro da Dignitas desde 2011. Foi a quinta brasileira a se associar. Sem ter movimentos abaixo dos ombros, ela é dependente de cuidadores durante 24 horas. Um dia ela pretende viajar até a Suiça para realizar o procedimento. Ela e outras pessoas que são a favor da liberação da morte assistida acreditam que cada pessoa tem o direito de decidir o destino de seu próprio corpo e pode querer acabar com a dor, como explica a historiadora Sandra Cristina dos Santos, da Universidade de Coimbra, em Portugal.

“Apesar de tudo, vivo bem, sou super saudável e faço o que tenho vontade. Eu sempre acreditei que tenho livre arbítrio sobre minha vida. Não peço que ninguém aceite, apenas que respeite”, afirma Marina.

Mas muitas pessoas também são contra a liberação do suicídio assistido e da eutanásia no Brasil. Por isso o filme vem gerando tantos debates.

shutterstock 160151774
beerkoff/shutterstock

O autor tetraplégico Francesco Clark, cujo livro que conta como um acidente mudou sua vida, é mencionado no filme por Louisa, mas não apoia a produção. “Sinto-me obrigado a expressar que estou com raiva por ter sido involuntariamente associado a um enredo que sugere que a única opção para vítimas de traumatismos e lesões é a morte”, disse ao site Page Six.

Para a psicóloga Eliane Lemos, o filme trata uma reflexão sobre a quem pertence a vida, quem pode decidir se fica e lida com todos os desafios de uma tetraplegia. Eliane destaca que o ponto perigoso da produção é o risco de associar a deficiência a um quadro de doença, o que faz com que o suicídio assistido seja uma opção mais compreensível, como acaba sendo em caso de doentes sem chances de cura.

Mas ainda assim, segundo ela, o suicídio assistido não deve ser considerado “nem crime, nem pecado, mas uma decisão individual ou da família (em alguns casos). Morrer dignamente é direito de qualquer pessoa e, mesmo estando relacionada diretamente à um único indivíduo, é preciso olhar para as pessoas que serão impactadas. O paciente aprende a lidar com sentimentos e emoções desafiadoras e escolher pela morte não significa desistir dessa luta, mas cessar com o sofrimento”, explica a psicóloga.

Acompanhe: “Como Eu Era Antes de Você” emociona, mas incomoda deficientes