De “Fiscal do Sarney” a prateleiras vazias: 7 fatos sobre o Plano Cruzado

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Em fevereiro de 1986, o presidente José Sarney anunciou o Plano Cruzado, primeira grande tentativa dos governos pós-ditadura militar para combater a inflação e retomar o crescimento do país. Pouco depois, o entusiasmo do plano deu lugar ao desânimo, com prateleiras dos mercados vazias e a inflação devorando os preços. Confira:

#7 - Mudança de moeda

O Plano Cruzado tem esse nome por conta da nova moeda que foi instituída no país. O Cruzado substituiu o Cruzeiro (mil cruzeiros valiam um cruzado). O presidente José Sarney e o ministro da Fazenda Dilson Funaro foram os responsáveis pelo plano.

#6 – Congelamentos

Outro grande destaque do Plano Cruzado foi o congelamento de preços. O valor de todos os produtos passou a ser tabelado pelo governo, fato que, no primeiro momento, reduziu a inflação. Mas vale lembrar que os salários também foram congelados e só podiam ser reajustados por meio dos “gatilhos”, quando a inflação superava os 20% por mês.

#5 - Fiscais do Sarney

O governo conclamou o povo a fiscalizar estabelecimentos que aumentassem os preços indevidamente. Foi criado um broche com os dizeres “Eu Sou Fiscal do Sarney”, com o qual donas de casa faziam compras anotando os preços.

#4 - Problemas sérios

Mas a indústria e os produtores agrícolas logo começaram a reclamar que os preços tabelados eram insuficientes para cobrir os custos. Com isso, passaram a retirar os produtos de circulação. Mercados começaram a ter problemas de abastecimento, em especial de carne e de leite. Também aumentou a cobrança de “ágio” (preço a mais combinado por fora) para muitos produtos.

#3 - Como sempre...

O governo também não fez a parte dele, cortando gastos e promovendo reformas econômicas para incentivar a produção nacional. Como 1986 foi um ano de eleições estaduais, medidas impopulares – mas necessárias – deixaram de ser tomadas.

#2 - Insucessos e calote

O Plano Cruzado fez água. Já em 1987 a inflação voltou a disparar e atingiu a impressionante marca de 366% no acumulado de 12 meses. No mesmo ano, Sarney anunciaria a moratória (calote) da dívida externa.

#1 - Épocas difíceis

Sarney ainda lançaria outros planos econômicos: o Plano Cruzado 2, o Plano Bresser e o Plano Verão (que instituiu outra moeda, o Cruzado Novo). Todos falharam. Em 1990, entregou a presidência a Fernando Collor em um cenário de caos econômico.