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Por que há pouco oxigênio respirável no espaço? Entenda

espaco oxigenio
Thinkstock

Um grupo de pesquisadores liderados por Jiao He, da Universidade de Syracuse (EUA), encontrou a solução para entender o motivo de haver tão pouco oxigênio no espaço.

Eles aqueceram dois tipos de sólido que possuem as partículas que compõem os grãos de poeira interestelar: o gelo e o silicato (mineral que constitui meteoros e rochas, composto de sais).

Desta forma, eles extraíram os átomos de oxigênio e calcularam a energia que liga esses átomos aos sólidos analisados.

Aplicando a fórmula da energia de ligação, chegaram a um resultado milimétrico: são 0,14 elétron-volts para o gelo e 0,16 elétron-volts para o silicato. Isso representa mais que o dobro da energia de ligação calculada há décadas – mais especificamente nos anos 1970, quando astrônomos acreditavam que o oxigênio seria uma das moléculas interestelares mais constantes no espaço.

“Usamos os novos valores para estudar a química do oxigênio como uma função de profundidade numa nuvem molecular”, descreve o resumo do estudo.

O valor encontrado é suficientemente alto para manter os átomos de oxigênio presos à poeira interestelar. Isso dificulta a liberação de seus átomos no espaço. Para que isso ocorresse, seria necessária a intervenção de alguma matéria que pudesse aquecer ou provocar uma onda de choque nessas poeiras.

Deve-se levar em conta que em apenas dois pontos do espaço sideral encontra-se oxigênio como molécula interestelar: a Nebulosa de Órion e a constelação Rho Ophiuchi, ainda assim numa quantidade de moléculas menos expressiva do que se imaginava.

Se por um lado o oxigênio ‘preso’ impede a respiração no espaço, por outro pode ser fundamental para gerar vida. Quando os átomos de oxigênio ficam presos aos grãos interestelares, ficam vulneráveis para se juntar ao hidrogênio – a molécula mais constante no espaço – e, então, criar gelo de água que se tornam partes de asteroides, cometas e até mesmo planetas, como a Terra.

Claro que, se dependesse apenas desse fenômeno espacial, a Terra estaria impossibilitada de gerar e manter tantas vidas. O que contribui fortemente para a sobrevivência dos humanos é a presença de plantas, árvores e principalmente as algas marinhas que, sozinhas, são responsáveis por liberar 55% do oxigênio do planeta.